E ela se guardou atrás de sorrisos de plástico que nunca chegaram ao seu coração.
Criou pra todos a ilusão de um ser humano perfeito que nunca tinha vontade de chorar.
Formou uma versão firme e decidida de si mesma a qual nenhuma dor ousava tocar.
Mas, por baixo da superfície, ela sempre foi uma grande ilusionista.
Depois do show que ela fazia para todo o restante da humanidade, na segurança das cortinas já fechadas, ela se escondia e chorava baixinho todas as lágrimas que ela prendeu por tempo demais.
Depois do "Grand Finalle" ela deixou que a garota frágil dentro de si fizesse uma participação. Deixou que a fumaça da ilusão se dissipasse. Foi, por um momento, ela mesma.
Sem máscaras.
Mas, ela quase sente o público se aproximar novamente, ouve os passos deles ecoando no ar ansiosos por mais um espetáculo da garota sem medos, sem feridas...Vazia.
E então ela se levanta sabendo que está na hora. Limpa as lágrimas mais uma vez e tenta esquecer o coração ferido dentro do peito já que não é esse tipo de espetáculo que as pessoas querem ver.
Ela se posta atrás das cortinas esperando o momento em que elas se abrirão novamente e a ilusionista assumirá mais uma vez.
E, por trás da máscara, a garota frágil de agora a pouco se encerra.
Seu último ato; um soluçar oculto que ninguém quis ouvir.

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